Atualizado em
20.03.10

 

Meu nome é Marcos Antônio Rêgo da Silva. Minha vida era de uma pessoa normal. Não usava drogas e bebia socialmente. Tinha um grande vazio em minha alma que só poderia ser preenchido por Jesus.

Aos dezesseis anos fiz um curso da EAMPE - Escola de Aprendiz de marinheiro de Pernambuco. Depois de formado fui para o Rio de Janeiro em dezembro de 1981, onde trabalhei num navio um ano e oito meses. Em 1983 eu já estava em alto mar há sessenta dias quando fui tomado por um grande estado depressivo, chegando a pensar em me suicidar, jogando-me na hélice do navio. Por glória de Deus eu não me suicidei.

     Chegando em terra firme, atendendo ao convite de um amigo, Abdias, fui assistir ao culto evangélico em sua igreja. Durante o culto leram Mat. 24:03 e cantaram um hino que dizia: "jovem vejo em teu semblante atrás do teu sorriso que vives um dilema, teu viver é triste e tão amargo. Tua  vida é vazia e até tens chorado ". Após cantarem este hino fizeram o apelo e aceitei Jesus como meu salvador.

     Oito anos se passaram. Minha família foi contra a minha entrada para a igreja. Minha mãe chegou a dar sonífero para que eu dormisse e não fosse aos cultos. Um dia ela entendeu que minha fé era tão grande que ela teve um encontro com o Senhor Jesus. Hoje ela descansa nos braços do Eterno Deus.

     Neste período de oito anos eu saí da Marinha. Comecei a trabalhar numa empresa chamada Piraquê, em Madureira, Rio de Janeiro. O meu meio de transporte para o trabalho era o trem. No retorno para casa eu aproveitava para pregar o evangelho no trem. 

     No dia 16 de fevereiro de 1991 estava indo para o trabalho quando o trem parou por problemas técnicos. Como estava a uns 100 metros do meu trabalho, desci do trem e fui conversando com uma amiga andando sobre a linha férrea. Minha amiga andava dentro dos trilhos e eu por fora, quando de repente surge um trem vindo em nossa direção. Dei um grito e a empurrei para fora dos trilhos conseguindo salvá-la. Porém, eu escorreguei e caí e o trem passou por cima de mim levando minhas duas pernas. A direita completamente e a esquerda abaixo do joelho. Eu perdi minhas pernas mas não perdi a minha fé em Deus.

     No Hospital Salgado Filho para onde fui levado, um dos médicos da equipe de cirurgiões veio dar-me a notícia da amputação das minhas pernas quando eu lhe disse que estava tudo bem e que Jesus disse: "tende bom ânimo. Eu venci o mundo!" (Jo 16-33). Os médicos ficaram admirados e perceberam que Jesus é o segredo. 

     Após ter sido levado para a enfermaria e como estava tudo bem comigo, comecei a evangelizar os pacientes da enfermaria. O nome de Jesus estava sendo glorificado. Muitos pessoas iam ao hospital para me consolar e saiam consolados. 

     Por negligência do hospital peguei uma gangrena no lado direito e minha perna ficou podre com um mal cheiro horrível. Eu tinha que fazer uma cirurgia urgente. Após dois dias os médicos vieram me dizer que não tinha médico anestesista no hospital e que a cirurgia tinha que ser feita sem anestesia. Concordei com a cirurgia. Quando eles começaram a me cortar senti dores horríveis, cruciantes. Pensei nos cravos, pensei na cruz e pensei no meu amigo Jesus. Durante a cirurgia encontrei forças e comecei a cantar. Terminada a cirurgia os médicos e enfermeiras perguntaram onde eu encontrei forças para resistir tanta dor. Olhei para eles e respondi: foi a graça do Senhor Jesus.

     Depois de plenamente recuperado fui para o Recife e lá o Senhor Jesus me disse o porquê que Ele permitiu que eu perdesse as duas pernas. Quatro meses após o acidente eu fui ao Congresso de Jovens da cidade de Salgueiro - PE. O tema do congresso era "Para que vejam minha Glória". O Senhor disse ao meu coração "aí está o porquê de você perder suas pernas e para que todos vejam a minha glória em sua vida, porque mesmo sem as pernas, você vai trabalhar muito".

     Hoje sou um homem completamente feliz pregando a palavra de Deus nos trens, nas ruas, nos presídios, nos hospitais, nas emissoras de rádios, etc. Eu nunca estarei descalço, estarei sempre com os sapatos do Evangelho da Paz (Ef 6:15).

Eu sei perfeitamente que não é fácil a vida de um homem numa cadeira de rodas num país tão difícil para os deficientes, mas eu confio no meu Senhor que tem providenciado amigos que são verdadeiros irmãos e que me ajudam a propagar o evangelho aos oprimidos.

 

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