
Meu
nome é Marcos Antônio Rêgo da Silva. Minha vida era de
uma pessoa normal. Não usava drogas e bebia socialmente.
Tinha um grande vazio em minha alma que só poderia ser
preenchido por Jesus.
Aos
dezesseis anos fiz um curso da EAMPE - Escola de Aprendiz
de marinheiro de Pernambuco. Depois de formado fui para o
Rio de Janeiro em dezembro de 1981, onde trabalhei num
navio um ano e oito meses. Em 1983 eu já estava em alto
mar há sessenta dias quando fui tomado por um grande
estado depressivo, chegando a pensar em me suicidar,
jogando-me na hélice do navio. Por glória de Deus eu
não me suicidei.
Chegando em terra firme, atendendo ao convite de um amigo,
Abdias, fui assistir ao culto evangélico em sua igreja.
Durante o culto leram Mat. 24:03 e cantaram um hino que
dizia: "jovem vejo em teu semblante atrás do teu
sorriso que vives um dilema, teu viver é triste e tão
amargo. Tua vida é vazia e até tens chorado
". Após cantarem este hino fizeram o apelo e aceitei
Jesus como meu salvador.
Oito anos se passaram. Minha família foi contra a minha
entrada para a igreja. Minha mãe chegou a dar sonífero
para que eu dormisse e não fosse aos cultos. Um dia ela
entendeu que minha fé era tão grande que ela teve um
encontro com o Senhor Jesus. Hoje ela descansa nos braços
do Eterno Deus.
Neste período de oito anos eu saí da Marinha. Comecei a
trabalhar numa empresa chamada Piraquê, em Madureira, Rio
de Janeiro. O meu meio de transporte para o trabalho era o
trem. No retorno para casa eu aproveitava para pregar o
evangelho no trem.
No dia 16 de fevereiro de 1991 estava indo para o trabalho
quando o trem parou por problemas técnicos. Como estava a
uns 100 metros do meu trabalho, desci do trem e fui
conversando com uma amiga andando sobre a linha férrea.
Minha amiga andava dentro dos trilhos e eu por fora,
quando de repente surge um trem vindo em nossa direção.
Dei um grito e a empurrei para fora dos trilhos
conseguindo salvá-la. Porém, eu escorreguei e caí e o
trem passou por cima de mim levando minhas duas pernas. A
direita completamente e a esquerda abaixo do joelho. Eu
perdi minhas pernas mas não perdi a minha fé em Deus.
No Hospital Salgado Filho para onde fui levado, um dos
médicos da equipe de cirurgiões veio dar-me a notícia
da amputação das minhas pernas quando eu lhe disse que
estava tudo bem e que Jesus disse: "tende bom ânimo.
Eu venci o mundo!" (Jo 16-33). Os médicos ficaram
admirados e perceberam que Jesus é o segredo.
Após ter sido levado para a enfermaria e como estava tudo
bem comigo, comecei a evangelizar os pacientes da
enfermaria. O nome de Jesus estava sendo glorificado.
Muitos pessoas iam ao hospital para me consolar e saiam
consolados.
Por negligência do hospital peguei uma gangrena no lado
direito e minha perna ficou podre com um mal cheiro
horrível. Eu tinha que fazer uma cirurgia urgente. Após
dois dias os médicos vieram me dizer que não tinha
médico anestesista no hospital e que a cirurgia tinha que
ser feita sem anestesia. Concordei com a cirurgia. Quando
eles começaram a me cortar senti dores horríveis,
cruciantes. Pensei nos cravos, pensei na cruz e pensei no
meu amigo Jesus. Durante a cirurgia encontrei forças e
comecei a cantar. Terminada a cirurgia os médicos e
enfermeiras perguntaram onde eu encontrei forças para
resistir tanta dor. Olhei para eles e respondi: foi a
graça do Senhor Jesus.
Depois de plenamente recuperado fui para o Recife e lá o
Senhor Jesus me disse o porquê que Ele permitiu que eu
perdesse as duas pernas. Quatro meses após o acidente eu
fui ao Congresso de Jovens da cidade de Salgueiro - PE. O
tema do congresso era "Para que vejam minha
Glória". O Senhor disse ao meu coração "aí
está o porquê de você perder suas pernas e para que
todos vejam a minha glória em sua vida, porque mesmo sem
as pernas, você vai trabalhar muito".
Hoje sou um homem completamente feliz pregando a palavra
de Deus nos trens, nas ruas, nos presídios, nos
hospitais, nas emissoras de rádios, etc. Eu nunca estarei
descalço, estarei sempre com os sapatos do Evangelho da
Paz (Ef 6:15).
Eu
sei perfeitamente que não é fácil a vida de um homem
numa cadeira de rodas num país tão difícil para os
deficientes, mas eu confio no meu Senhor que tem
providenciado amigos que são verdadeiros irmãos e que me
ajudam a propagar o evangelho aos oprimidos.
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