Atualizado em
20.03.10

 

   A santificação segundo Pedro

 

"3Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. 4Por intermédio destas ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça.

5Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à fé que possuem a virtude; à virtude o conhecimento; 6ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; 7à piedade a fraternidade; e a fraternidade o amor. 8Porque, se estas qualidades existirem e estiverem crescendo em suas vidas, elas impedirão que vocês sejam inoperantes e improdutivos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. 9Todavia, se alguém não as tem, está cego, só vê o que está perto, esquecendo-se da purificação dos seus antigos pecados.

10Portanto, irmãos, empenhem-se ainda mais para consolidar a sua vocação e eleição, pois se fizerem estas coisas, jamais tropeçarão, 11e assim vocês estarão ricamente providos quando entrarem no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." 2 Pe. 1:3-11 (NVI)

Estive recentemente pregando em uma igreja no sul e minhas conversas com o Pastor e alguns obreiros do lugar me trazem preocupações a respeito de que tipo de igreja, que tipo de cristão o Senhor Jesus encontrará na sua volta. Não só lá no sul, mas em todos os lugares temos encontrado muitos Pastores que sofrem e choram por uma igreja digna do Senhor Jesus Cristo e que glorifique o Santo nome de Deus.

Não há espaço neste artigo para que se possa relatar ou mesmo apenas enumerar os problemas causados pela banalização ou a relativização que os conceitos bíblicos e teológicos vêm sofrendo sistematicamente ao longo dos últimos 50 anos e muito mais agora com o advento do chamado neo-pentecostalismo.

Em uma conversa com o Pr. Randall Walker, dentro deste assunto, ele citou o falecido Pr. Donald Stamps para quem a vida cristã deve ser permeada por convicções e não por preferências. É na diferença entre essas duas atitudes que nos deparamos com a verdade absoluta, que é o parâmetro de Deus ou as verdades relativas, inerentes ao pensamento humanista.

Em 2 Tm. 3:1-9, o Apóstolo Paulo nos alerta a respeito de como seriam os dias que vão anteceder a volta de Jesus, o versículo chave  deste texto é o 5,"tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder..." (NVI). Esta palavra nos faz olhar para o cotidiano evangélico-eclesiástico com pesar e tendo em vista que o Apóstolo vai mais longe em suas asseverações, veja que em 2 Tm. 4:1-4 ele diz que o povo só escutaria o que lhe agradasse e deixaria de lado a verdade  para se contentar com estórias fantásticas, urge que se levantem cristãos cujo compromisso com Deus esteja acima de qualquer suspeita, (Tt. 2:14); cujo desejo de servir e adorar a Deus seja maior que as ambições e preocupações terrenas, (Lc. 10: 41-42); cujo amor pelas almas os levem a abdicar de conforto e bens para levar a mensagem de vida nova em Jesus, (Ef. 6:20), para fazer com que os homens voltem-se para Deus, (2 Tm. 3:16-17).

Em meu intróito tive a intenção de aguçar a mente dos irmãos para uma questão que é de suma importância na vida cristã, o conceito de santificação sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb. 12:14).

O conceito de santificação tem dividido os teólogos, pois alguns alegam que a santificação é um ato de Deus, puro e simples; e outros alegam que a santificação é um processo na vida de cada crente que, vai galgando degraus de espiritualidade, há outros ainda, entre os quais me coloco, que aceitam a idéia de que a santificação é tanto um ato distintivo de Deus, quanto um processo de alcançar uma qualidade de vida eclesiástica e espiritual dignas. Essa idéia é desenvolvida pelo Apóstolo Pedro em 2 Pe 1:3-11, onde ele alega o ato de Deus que chama e santifica o homem e a necessidade de passarmos a desenvolver algumas qualidades em nossa maneira de viver para que não vivamos um cristianismo estéril.

Para o Apóstolo Pedro a santificação é a ação de Deus modificando a vida do homem e dando a esse homem o Espírito Santo (At. 10: 44-47), tornando o homem santo; do grego "hagioi" que pode ser entendido como aquele que foi chamado, consagrado ou separado para um determinado fim ou serviço, sendo um ato da vontade de Deus, (1 Ts. 5:23-24). Nos versículos 3 e 4 somos informados que pelo seu poder temos todas as coisas que necessitamos para a vida e para a piedade e nos tornamos participantes da natureza divina.

Não vou me esquivar da oportunidade de falar aos irmãos condenando uma prática comum em nossos dias que é a famigerada "doutrina de prosperidade" que, equivocadamente desvia a atenção do crente de Jesus Cristo e o faz buscar algo que a Palavra de Deus alega que o crente já tem, a partir, disso tenha a certeza, o crente se tornará primeiro egoísta, porque ele há de achar que cristão abençoado é o que consegue ter todos os bens materiais, (Mt. 4:8-10) e de consumo disponíveis no mercado, e depois certamente se tornará um cristão frustrado, sem entender porque não chega a lugar nenhum e não obtém tudo o que determina que aconteça, (Mt. 6:9-13,27). Tenho certeza de que nosso evangelicalismo há de ser melhorado quando voltarmos as nossas atenções a Jesus, (Mt. 6:33), pois somente Ele é digno de adoração, (Ap. 4:11).

Ao lermos a epístola de Pedro não devemos nos enganar, porque ele deixa claro que nós teremos de arcar com responsabilidades e é aí que começa o processo, "... desenvolvam a salvação de vocês ...", (Fp. 2:12), apesar desta ordenança vir da pena de Paulo, devemos entender que Pedro conhecia muito os conceitos paulinos, (2 Pe. 3:15-18), e com exceção ao tratamento dado aos gentios, (At. 10:28; Gl. 2:11-13), não entravam em choque.

No ato da nossa conversão, momento no qual o Espírito Santo nos regenera, Deus nos outorga a fé, (Ef. 2:8), por isso a certeza de Pedro é a de que ele está escrevendo a pessoas que já possuem fé e que está nela o ponto de partida para um cristianismo vivo. Sua orientação, então, é que os crentes "... empenhem-se para acrescentar à fé que possuem..." algumas coisas que certamente irão moldar o seu caráter.

Virtude, (Ef. 4:8-9), o primeiro incremento a fé, na orientação de Pedro tem a ver com conduta moral. O Apóstolo era sabedor de que muitos vieram de uma vida dissoluta e que a conversão pressupõe mudança de direção no caminhar, portanto é imperativo agora que larguemos os vícios e os maus costumes e passemos a ser pessoas que devem ser exemplo na comunidade em que vivemos. Devemos nos tornar exemplo de filho, irmão, marido, pai, patrão, empregado, amigo e principalmente de cristão. Virtude caracteriza a conduta digna de ser imitada.

Conhecimento, (Os. 6:3), houve um tempo em que, nós os pentecostais, torcíamos o nariz quando alguém dizia que estava indo para o seminário ou para a faculdade. Graças a Deus esta mentalidade vem mudando e estamos verificando que até a Escola Bíblica Dominical já é melhor frequentada e que os crentes comprometidos com o Reino vêm melhorando seu conhecimento, tanto teológico quanto secular. Ainda temos que aturar imensa quantidade de pessoas que se dizem cristãos mas que não tem o mínimo de conhecimento de quem realmente seja Deus, de como ele age, de como ele fala, do seu amor, do seu poder, do que lhe agrada ou desagrada. Pedro quer que sejam execradas as discrepâncias entre quem Deus realmente é e o que certos crentes pensam que ele seja.

Domínio próprio, (Mt. 5:5), o Apóstolo estivera presente quando Jesus pregou o conhecido "Sermão do Monte", que nos exorta à mansidão, não se entregar a uma contenda por qualquer que seja o motivo. Para Jesus e seus apóstolos, manso é o homem que por ter entregue a sua vida ao Reino, não reivindica mais direito algum desta terra, pois sua herança e possessão é o Senhor, (Ez. 44:28). Há também uma ordem implícita de aplacar as tendências carnais que invariavelmente conduzem ao pecado, (Cl. 3:5-10).

Perseverança, (Hb. 12:1-4), o texto de Hebreus deixa claro que não temos o direito de pararmos no meio do caminho, não podemos desistir sob qualquer que seja a circunstância, pois o mundo só pode conhecer Deus a partir de nós, e se nosso cristianismo não tiver consistência e resistência a idéia reinante será a de que nosso Deus não é tão poderoso, pois não consegue nos manter vivos.

Piedade, (Rm. 1:16; 1 Tm. 3:16), o homem pio é aquele que vive para o seu Deus, tudo o que lhe importa é agradar, adorar, servir, louvar seu Senhor, (Js. 24:15-17). Viver piedosamente é viver para a sua fé, ensinar aos outros sua fé, fazer discípulos. Talvez você seja rotulado de fanático por viver assim, porém saiba com toda a certeza de que o Senhor nosso Deus será contigo em todos os momentos da sua vida, (Sl. 1; Jo. 17:20-23).

Fraternidade, (Fp. 2:1-4), somos exortados agora a que abandonemos os pensamentos e os atos egoístas, o Apóstolo quer que nós aprendamos que a igreja é na realidade uma sociedade de socorro mútuo, somos todos interdependentes, ou seja, eu devo orar e trabalhar para que meu irmão esteja bem em qualquer que seja a ocasião, seja boa ou má, (Mt. 25:31-40). Contrário ao que muita gente pensa e apregoa, nós nos congregamos para sermos benção, o ser abençoado é consequência.

Amor, (1 Co. 13:1-8), como já havia dito, Pedro conhecia a doutrina paulina e por isso no final de sua exortação cita Paulo mais uma vez: "Acima de tudo, porém, revistam-se de amor, que é o elo perfeito", Cl. 3:14, Pedro entende que se não for por amor a Deus e seu Reino, se não for por amor aos homens que, queremos que sejam salvos não conseguiremos dar um só passo em direção a plena consagração. Lembre-se sempre que Deus fez tudo o que fez movido pelo amor, (Jo. 3:16).

A partir do vers. 8, o Apóstolo ensina que essas características devem ser aprendidas e exercitadas para que não sejamos "inoperantes e improdutivos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo"(NVI). As Escrituras em todos os seus pormenores quer que nós estejamos atentos a revelação de Deus em Jesus, (Hb.1:1-4) e de posse desta revelação assumirmos a nossa posição de sacerdotes, (1 Pe. 2:9), deixando de lado a nossa própria vontade para atendermos a vontade do Senhor nosso Deus, (Rm. 12:1-2)

Segundo o pensamento petrino, quem não atenta para todas essas coisas é como "cego...esquecendo-se da purificação dos seus antigos pecados", vers. 9. Ele afirma que tal pessoa é mundana, pois "só vê o que está perto", e  não é capaz de se desligar das coisas do mundo, tornando-se condenável, (2 Pe. 2:20-22).

Santificação, na teologia petrina é "empenhar-se mais e mais para consolidar a sua vocação e eleição", tendo a certeza de que os que "fizerem estas coisas jamais tropeçarão", vers. 10. Tornar-se um cristão consciente dessas coisas deveria ser o objetivo de todos nós, a fim de podermos nos apresentar para o serviço do Senhor sem nenhum embaraço, sem nenhuma amarra que nos prenda a vida de outrora, (2 Tm. 2:4-5).

Para concluir Pedro diz: "...e assim vocês estarão ricamente providos quando entrarem no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo", vers. 11. Muito poderia ser dito no final deste estudo a respeito da inobservância das palavras de Pedro, porém, o que quero deixar para os irmãos é a certeza de que no exercício destas qualidades ordenadas na epístola petrina está a garantia de que seremos aceitos por Deus, alegres por não ter desperdiçado tempo a procura de qualquer satisfação, que não a de levar uma vida digna do Reino por vir, (Fp. 2:16).

Pr. Paulo Nunes
Igreja Batista Bereana – Itapetininga (SP)

 
<<<Home>>>

<<<Mais Mensagens>>>


 

Igreja Povo de Deus © 2006 All Rights Reserved - Web Design Leandro Vale