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"3Seu
divino poder nos deu todas as coisas de que
necessitamos para a vida e para a piedade, por meio
do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a
sua própria glória e virtude. 4Por
intermédio destas ele nos deu as suas grandiosas e
preciosas promessas, para que por elas vocês se
tornassem participantes da natureza divina e
fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela
cobiça.
5Por
isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à fé que
possuem a virtude; à virtude o conhecimento;
6ao conhecimento o domínio próprio;
ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a
piedade; 7à piedade a
fraternidade; e a fraternidade o amor. 8Porque,
se estas qualidades existirem e estiverem crescendo
em suas vidas, elas impedirão que vocês sejam
inoperantes e improdutivos no pleno conhecimento de
nosso Senhor Jesus Cristo. 9Todavia,
se alguém não as tem, está cego, só vê o que está
perto, esquecendo-se da purificação dos seus antigos
pecados.
10Portanto,
irmãos, empenhem-se ainda mais para consolidar a sua
vocação e eleição, pois se fizerem estas coisas,
jamais tropeçarão, 11e assim vocês
estarão ricamente providos quando entrarem no Reino
eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo."
2 Pe. 1:3-11 (NVI)
Estive
recentemente pregando em uma igreja no sul e minhas
conversas com o Pastor e alguns obreiros do lugar me
trazem preocupações a respeito de que tipo de
igreja, que tipo de cristão o Senhor Jesus
encontrará na sua volta. Não só lá no sul, mas em
todos os lugares temos encontrado muitos Pastores
que sofrem e choram por uma igreja digna do Senhor
Jesus Cristo e que glorifique o Santo nome de Deus.
Não há espaço
neste artigo para que se possa relatar ou mesmo
apenas enumerar os problemas causados pela
banalização ou a relativização que os conceitos
bíblicos e teológicos vêm sofrendo sistematicamente
ao longo dos últimos 50 anos e muito mais agora com
o advento do chamado neo-pentecostalismo.
Em uma conversa
com o Pr. Randall Walker, dentro deste assunto, ele
citou o falecido Pr. Donald Stamps para quem a vida
cristã deve ser permeada por convicções e não por
preferências. É na diferença entre essas duas
atitudes que nos deparamos com a verdade absoluta,
que é o parâmetro de Deus ou as verdades relativas,
inerentes ao pensamento humanista.
Em 2 Tm.
3:1-9, o Apóstolo Paulo nos alerta a
respeito de como seriam os dias que vão anteceder a
volta de Jesus, o versículo chave deste texto é o
5,"tendo aparência de piedade, mas
negando o seu poder..." (NVI). Esta
palavra nos faz olhar para o cotidiano
evangélico-eclesiástico com pesar e tendo em vista
que o Apóstolo vai mais longe em suas asseverações,
veja que em 2 Tm. 4:1-4 ele diz que o
povo só escutaria o que lhe agradasse e deixaria de
lado a verdade para se contentar com estórias
fantásticas, urge que se levantem cristãos cujo
compromisso com Deus esteja acima de qualquer
suspeita, (Tt. 2:14); cujo desejo de
servir e adorar a Deus seja maior que as ambições e
preocupações terrenas, (Lc. 10: 41-42);
cujo amor pelas almas os levem a abdicar de conforto
e bens para levar a mensagem de vida nova em Jesus,
(Ef. 6:20), para fazer com que os
homens voltem-se para Deus, (2 Tm. 3:16-17).
Em meu intróito
tive a intenção de aguçar a mente dos irmãos para
uma questão que é de suma importância na vida
cristã, o conceito de santificação sem a qual
ninguém verá o Senhor (Hb. 12:14).
O conceito de
santificação tem dividido os teólogos, pois alguns
alegam que a santificação é um ato de Deus, puro e
simples; e outros alegam que a santificação é um
processo na vida de cada crente que, vai galgando
degraus de espiritualidade, há outros ainda, entre
os quais me coloco, que aceitam a idéia de que a
santificação é tanto um ato distintivo de Deus,
quanto um processo de alcançar uma qualidade de vida
eclesiástica e espiritual dignas. Essa idéia é
desenvolvida pelo Apóstolo Pedro em 2 Pe
1:3-11, onde ele alega o ato de Deus que
chama e santifica o homem e a necessidade de
passarmos a desenvolver algumas qualidades em nossa
maneira de viver para que não vivamos um
cristianismo estéril.
Para o Apóstolo
Pedro a santificação é a ação de Deus modificando a
vida do homem e dando a esse homem o Espírito Santo
(At. 10: 44-47), tornando o homem
santo; do grego "hagioi" que pode ser
entendido como aquele que foi chamado, consagrado ou
separado para um determinado fim ou serviço, sendo
um ato da vontade de Deus, (1 Ts. 5:23-24).
Nos versículos 3 e 4
somos informados que pelo seu poder temos
todas as coisas que necessitamos para a vida e para
a piedade e nos tornamos participantes
da natureza divina.
Não vou me
esquivar da oportunidade de falar aos irmãos
condenando uma prática comum em nossos dias que é a
famigerada "doutrina de prosperidade" que,
equivocadamente desvia a atenção do crente de Jesus
Cristo e o faz buscar algo que a Palavra de Deus
alega que o crente já tem, a partir, disso tenha a
certeza, o crente se tornará primeiro egoísta,
porque ele há de achar que cristão abençoado é o que
consegue ter todos os bens materiais, (Mt.
4:8-10) e de consumo disponíveis no mercado,
e depois certamente se tornará um cristão frustrado,
sem entender porque não chega a lugar nenhum e não
obtém tudo o que determina que aconteça, (Mt.
6:9-13,27). Tenho certeza de que nosso
evangelicalismo há de ser melhorado quando voltarmos
as nossas atenções a Jesus, (Mt. 6:33),
pois somente Ele é digno de adoração, (Ap.
4:11).
Ao lermos a
epístola de Pedro não devemos nos enganar, porque
ele deixa claro que nós teremos de arcar com
responsabilidades e é aí que começa o processo,
"... desenvolvam a salvação de vocês ...", (Fp.
2:12), apesar desta ordenança vir da pena de
Paulo, devemos entender que Pedro conhecia muito os
conceitos paulinos, (2 Pe. 3:15-18), e
com exceção ao tratamento dado aos gentios,
(At. 10:28; Gl. 2:11-13), não entravam em
choque.
No ato da nossa
conversão, momento no qual o Espírito Santo nos
regenera, Deus nos outorga a fé, (Ef. 2:8),
por isso a certeza de Pedro é a de que ele está
escrevendo a pessoas que já possuem fé e que está
nela o ponto de partida para um cristianismo vivo.
Sua orientação, então, é que os crentes "...
empenhem-se para acrescentar à fé que possuem..."
algumas coisas que certamente irão moldar o seu
caráter.
Virtude, (Ef.
4:8-9), o primeiro incremento a fé, na
orientação de Pedro tem a ver com conduta moral. O
Apóstolo era sabedor de que muitos vieram de uma
vida dissoluta e que a conversão pressupõe mudança
de direção no caminhar, portanto é imperativo agora
que larguemos os vícios e os maus costumes e
passemos a ser pessoas que devem ser exemplo na
comunidade em que vivemos. Devemos nos tornar
exemplo de filho, irmão, marido, pai, patrão,
empregado, amigo e principalmente de cristão.
Virtude caracteriza a conduta digna de ser imitada.
Conhecimento,
(Os. 6:3), houve um tempo em que, nós os
pentecostais, torcíamos o nariz quando alguém dizia
que estava indo para o seminário ou para a
faculdade. Graças a Deus esta mentalidade vem
mudando e estamos verificando que até a Escola
Bíblica Dominical já é melhor frequentada e que os
crentes comprometidos com o Reino vêm melhorando seu
conhecimento, tanto teológico quanto secular. Ainda
temos que aturar imensa quantidade de pessoas que se
dizem cristãos mas que não tem o mínimo de
conhecimento de quem realmente seja Deus, de como
ele age, de como ele fala, do seu amor, do seu
poder, do que lhe agrada ou desagrada. Pedro quer
que sejam execradas as discrepâncias entre quem Deus
realmente é e o que certos crentes pensam que ele
seja.
Domínio
próprio, (Mt. 5:5), o Apóstolo estivera
presente quando Jesus pregou o conhecido "Sermão do
Monte", que nos exorta à mansidão, não se entregar a
uma contenda por qualquer que seja o motivo. Para
Jesus e seus apóstolos, manso é o homem que por ter
entregue a sua vida ao Reino, não reivindica mais
direito algum desta terra, pois sua herança e
possessão é o Senhor, (Ez. 44:28). Há
também uma ordem implícita de aplacar as tendências
carnais que invariavelmente conduzem ao pecado,
(Cl. 3:5-10).
Perseverança,
(Hb. 12:1-4), o texto de Hebreus deixa claro
que não temos o direito de pararmos no meio do
caminho, não podemos desistir sob qualquer que seja
a circunstância, pois o mundo só pode conhecer Deus
a partir de nós, e se nosso cristianismo não tiver
consistência e resistência a idéia reinante será a
de que nosso Deus não é tão poderoso, pois não
consegue nos manter vivos.
Piedade, (Rm.
1:16; 1 Tm. 3:16), o homem pio é aquele que
vive para o seu Deus, tudo o que lhe importa é
agradar, adorar, servir, louvar seu Senhor, (Js.
24:15-17). Viver piedosamente é viver para a
sua fé, ensinar aos outros sua fé, fazer discípulos.
Talvez você seja rotulado de fanático por viver
assim, porém saiba com toda a certeza de que o
Senhor nosso Deus será contigo em todos os momentos
da sua vida, (Sl. 1; Jo. 17:20-23).
Fraternidade,
(Fp. 2:1-4), somos exortados agora a que
abandonemos os pensamentos e os atos egoístas, o
Apóstolo quer que nós aprendamos que a igreja é na
realidade uma sociedade de socorro mútuo, somos
todos interdependentes, ou seja, eu devo orar e
trabalhar para que meu irmão esteja bem em qualquer
que seja a ocasião, seja boa ou má, (Mt.
25:31-40). Contrário ao que muita gente
pensa e apregoa, nós nos congregamos para sermos
benção, o ser abençoado é consequência.
Amor, (1
Co. 13:1-8), como já havia dito, Pedro
conhecia a doutrina paulina e por isso no final de
sua exortação cita Paulo mais uma vez: "Acima de
tudo, porém, revistam-se de amor, que é o elo
perfeito", Cl. 3:14, Pedro entende
que se não for por amor a Deus e seu Reino, se não
for por amor aos homens que, queremos que sejam
salvos não conseguiremos dar um só passo em direção
a plena consagração. Lembre-se sempre que Deus fez
tudo o que fez movido pelo amor, (Jo. 3:16).
A partir do
vers. 8, o Apóstolo ensina que essas
características devem ser aprendidas e exercitadas
para que não sejamos "inoperantes e improdutivos
no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo"(NVI).
As Escrituras em todos os seus pormenores quer que
nós estejamos atentos a revelação de Deus em Jesus,
(Hb.1:1-4) e de posse desta revelação
assumirmos a nossa posição de sacerdotes, (1
Pe. 2:9), deixando de lado a nossa própria
vontade para atendermos a vontade do Senhor nosso
Deus, (Rm. 12:1-2)
Segundo o
pensamento petrino, quem não atenta para todas essas
coisas é como "cego...esquecendo-se da
purificação dos seus antigos pecados",
vers. 9. Ele afirma que tal pessoa é
mundana, pois "só vê o que está perto", e
não é capaz de se desligar das coisas do mundo,
tornando-se condenável, (2 Pe. 2:20-22).
Santificação, na
teologia petrina é "empenhar-se mais e mais para
consolidar a sua vocação e eleição", tendo a
certeza de que os que "fizerem estas coisas
jamais tropeçarão", vers. 10.
Tornar-se um cristão consciente dessas coisas
deveria ser o objetivo de todos nós, a fim de
podermos nos apresentar para o serviço do Senhor sem
nenhum embaraço, sem nenhuma amarra que nos prenda a
vida de outrora, (2 Tm. 2:4-5).
Para concluir
Pedro diz: "...e assim vocês estarão ricamente
providos quando entrarem no Reino eterno de nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo", vers. 11.
Muito poderia ser dito no final deste estudo a
respeito da inobservância das palavras de Pedro,
porém, o que quero deixar para os irmãos é a certeza
de que no exercício destas qualidades ordenadas na
epístola petrina está a garantia de que seremos
aceitos por Deus, alegres por não ter desperdiçado
tempo a procura de qualquer satisfação, que não a de
levar uma vida digna do Reino por vir, (Fp.
2:16).
Pr. Paulo Nunes
Igreja Batista Bereana – Itapetininga (SP) |