Atualizado em
20.03.10

 

 Motos e Jesus: esse encontro dá certo?

Motociclistas, ou motoqueiros, como alguns preferem chamar, nem sempre são bem vistos por todo mundo... Alguns são chamados de baderneiros, pessoas que sempre se metem em confusão... Mas será que é assim mesmo? E dá para ser apaixonado por motos e ainda levar a Palavra de Deus por aí?

Tem gente provando que sim. Curtem suas motos e se utilizam disso para divulgar o Evangelho à jovens e adultos. Um bom exemplo é a turma do Motor Bike Gospel Motoshow, que é a primeira equipe evangélica de "wheeling", modalidade que reúne as mais diversas manobras radicais com motos e, durante as apresentações, entregam folhetos, falam de Jesus e fazem campanhas contra álcool, drogas,violência no trânsito, entre outros assuntos.
Outros movimentos de motociclistas acontecem em vários estados brasileiros, como os Mensageiros de Cristo, de Maceió, em Alagoas, e também o Motoclube Leão de Judá, no Rio de Janeiro.


O grupo Motor Bike Gospel Motoshow inclusive procura prender a atenção do público até o final das apresentações, quando acontecem manobras atravessando paredes de fogo e estrategicamente, esse é o momento em que é levada a mais forte mensagem da Palavra de Deus. Os integrantes contam que muitas vidas já se entregaram para Jesus neste momento e hoje são fiéis servos do Senhor. Como eles, muitos outros exemplos estão aí para mostrar que é possível ser um cristão verdadeiro e também bom motoqueiro.


Gutembergue, 52 anos, empresário, 

Igreja Renascer em Cristo Alphaville

 

Minha paixão por motos começou quando eu vi um pessoal rodando aqui em Alphaville, eram motos de andar no mato, de fazer trilha. Eu comecei a andar no mato, fiz onze enduros da independência e sete rallies dos sertões. Este rallie é uma prova que você sai de São Paulo e vai até Fortaleza pelo meio do mato, onde tem lama e buraco, é lá que você vai. E paralelo a esta, eu comprei uma moto Harley Davidson, que era um sonho antigo. Comprei em 1994 e de lá para cá fui equipando, devagarinho, a esta altura eu já estava freqüentando a igreja, tudo direitinho. Um belo dia, eu saí para fazer trilha, eu sempre voltava lá pelas quatro da tarde. Só que neste dia voltei mais cedo. Quando cheguei, minha esposa estava indo para para igreja, para um culto de oficiais. Me preparei para lavar a moto e não quis ir com ela. De repente, larguei a mangueira de lado, fui tomar um banho e fui para a igreja, com a Harley. Estou lá na igreja assistindo ao culto, numa boa, de repente comecei a sentir o Espírito Santo falando dentro de mim: 'Dá a moto', pensei: 'só pode estar brincando comigo, que é isso?' Comecei a resistir, mas assim mesmo fui até lá na frente. Quando eu cheguei perto do bispo, voltei e falei: 'Não, não vou dar a minha moto.' Daí um tempo voz de novo falando que eu tinha que dar a motocicleta, eu ouvia claramente dentro de mim. Na terceira vez não agüentei, levantei e fui lá na frente. Depois as pessoas me contaram que quando eu levantei eu dei um grito, a igreja inteira ouviu, menos eu. Cheguei no bispo e falei que o Espírito Santo tinha falado comigo e que eu iria doar a Harley Davidson. Aí o bispo parou o culto e anunciou a igreja que eu estaria doando a moto, pois todos sabiam do amor que eu tinha por ela. Mais tarde levei a moto para o Espaço Renascer, conheci o apóstolo e a bispa, eles oraram. Nesta época, eu tinha um desejo de comprar uma moto BMW. Passados três meses, eu fiz um bom negócio em minha empresa e me sobrou, limpinho, nas mãos U$25.300,00. Eu comecei a pensar em o que fazer com esse dinheiro, quando o Espírito me incomodou de novo dizendo para eu comprar a moto que eu queria comprar. Liguei na loja na mesma hora e o valor da BMW GS 1150 era exatamente U$25.300,00. Fui lá e comprei, depois contei o que Deus tinha feito. O mais legal foi que com dinheiro arrecadado com a Harley deu para construir vinte abrigos para idosos. De lá para cá eu só tenho tido bênçãos com o Senhor Jesus. Hoje eu tenho outra Harley Davidson, além da BMW e da moto de trilhas.


Vicente Fiuza, 53 anos, empresário

Quando eu cheguei a Alphaville, detectei essas pessoas com paixão por motos. Eu nunca tinha tido uma moto antes. Achava muito perigoso, excêntrico, só que eu comecei a conhecer o pessoal e entrei nesta onda da moto. Me surpreendi, porque com as motos, a gente consegue fazer amizades com pessoas completamente diferentes das que normalmente convivemos. Hoje tenho amigos que são pessoas de idade similar a minha, que andam de moto, usam casaco de couro, viajam e no entanto em suas vidas cotidianas são pessoas muito sérias, responsáveis e que trabalham nas mais diversas práticas profissionais. Andar de moto para mim é um prazer. E meu filho, de 22 anos, também faz parte da turma, ele tem moto há alguns anos e nunca se envolveu em nenhum acidente, nunca caiu. É uma pessoa jovem, mas que tem muita responsabilidade.


Higashi, 33 anos, motociclista, dono de um modelo Shadow.


"Ser motoqueiro nem sempre é ser bagunceiro. Eu sempre curti motos desde pequeno, meu pai me deu um motociclo quando tinha doze anos, porque já percebia meu interesse. Eu ficava assistindo campeonatos pela Tv e logo começou esse hobby. Mas já teve gente que ficou olhando pra mim meio desconfiado nas ruas, principalmente quando me visto com roupas de couro para compor um visual. Acho que ficam pensando: será que esse aí é" do bem "? E eu acabo achando graça. Já vi as apresentações de motoqueiros evangélicos e tenho certeza de que dá perfeitamente para ser cristão e gostar das motocicletas".


Fernandão, 36 anos, piloto de weeling (acrobacias sobre motos).
"Nosso maior desafio é mostrar às pessoas que nós, motociclistas, não precisamos andar errado, fazer arruaças e ficar se exibindo. O motociclismo verdadeiro não tem nada a ver com isso; é muito fácil andar com Jesus e praticar o que se gosta. Nossas apresentações de manobras, por exemplo, só acontecem mediante a aprovação e unção de nosso pastor Felipe. Ele ora e instrui cada integrante, e durante cada evento, pára as motos e leva as mensagens. Nas apresentações e em nosso dia-a-dia não só adultos, mas também crianças e principalmente jovens acabam conhecendo a maneira de se viver com Cristo. Temos no grupo um garoto de quatro anos, o Gugu, que anda nas motos e vai conosco à igreja. Os pais gostam do exemplo e acabam levando seus filhos nos shows e depois, claro, aos cultos. Às vezes toda uma família é ganha para Jesus, por uma semente plantada no coração, que vai dar frutos depois. Isso é o mais importante para nós".

 
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